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sábado, 4 de junho de 2011

Since you took your love away

Sou, sempre fui, interiorana. Não gosto das grandes agitações, das comemorações vazias, da diversidade insistente do anonimato.

Sou feliz de uma maneira muito simples: um trabalho que resulte em boas ações, gente honesta e disposta, trufas gostosas, tempo frio, ar limpo.

Mas tem algo faltando. Já olhei entre os isqueiros e as bics, mas não vi nada.

Continuo.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

As notícias do reino

Mudei-me para Piedade-SP há pouco mais de 40 dias.
Agora, sou bióloga da Coordenadoria do Meio Ambiente da cidade. Devo dizer que tenho me divertido muito. Meus companheiros de Coordenadoria são pessoas singulares. Neles vejo a vontade de mudar o mundo ao nosso redor e de deixar boas marcas para o futuro.

Nesta manhã, lá pelas 4h, sonhava que estava no trabalho, quando acordei na cama. E quis muito voltar a sonhar para estar no trabalho. Em apenas alguns raros momentos da vida me senti assim.

De uma maneira quase misteriosa, cheguei a esse emprego sem que nem tivesse procurado por ele. E toda a minha trajetória até agora (o mestrado abandonado, o trabalho no parque e no hotel, as minhas lindas crianças e amigas na escolinha...) faz sentido. Cada pequenino momento até aqui ajudou a imprimir significado ao que vivo agora.

Neste momento, sou, provavelmente, a pessoa com o melhor trabalho no mundo inteiro!

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Juvenar

Pra lembrar das noites felizes com os amigos lá em Rio Claro, onde o céu é sempre azul.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Porque um povo elege Sarney

Supermercado
- Por favor, você poderia deixar sua mochila no porta-volumes?
- Eu deixaria com prazer, se você pedisse a todas essas mulheres com bolsas - note que algumas são muito maiores que minha mochila- para que fizessem o mesmo.
- Mas, moça, são as regras.
- Mas aí está uma regra que não faz sentido, moço. Você já pensou nisso?
- Mas é uma regra.
- Certo. E não é você quem faz as regras, já sei. Gostaria de falar com o gerente.
- Tá bem, entra com a mochila.

Lojinha
- Bom dia! Gostaria de imprimir fotos diretamente do meu pen drive, pode ser?
- Hum...Mas aí você teria que deixar o seu pen drive aqui...Não vai dar.
- Mas ali na porta diz que vocês imprimem direto de câmeras...Por que não pode ser de um pen drive? Não me importo de deixá-lo.
- Humm...Quantas fotos?
- Duas.
- Duas??? Ah!! Vai ali na loja da praça que eles fazem isso.
- Meu senhor, acabei de vir de lá e quero imprimir minhas fotos aqui.
- Mas são só duas fotos...Ah! Vai lá, moça...
- Eu não vou lá. O senhor não devia oferecer serviços que não está disposto a executar. Bom dia!

Faixa de pedestres sem sinal
Carros passam à toda. Sinalizo que existe uma faixa ali e que eu vou atravessar a rua. De um carro com três loiras (não é uma insinuação, mesmo que a negação tenha soado como afirmativa):
- Ah!! Vai, ô, biscate! Tomar no cu!

Banca
O dono da banca conversa com um rapaz. Espero, pacientemente atrás do moço. O moço vai embora ao mesmo tempo que um senhor chega com duas crianças.Vão ver revistas. O dono da banca deixa o balcão- na frente do qual estou- e vai até eles perguntar se precisam de alguma coisa.
- Isso é uma grande falta de respeito, só para que o senhor saiba.
- O que, moça? (sorrisinho cínico)



É muita coisa pra uma manhã de segunda só!

domingo, 5 de julho de 2009

Noturno


O medo da noite. Estava tudo lá: intenso, frio e absolutamente vivo. Mas vieram as cores em forma de luz e as almas em coro. E o eco das vozes ressoou pelos olhos da platéia. Ou terão sido as idéias que fizeram tal estrondo? Estrondo mesmo fizeram meu sorriso e a sensação de aconchego que ainda estão aqui.

Vermelho. Verdadeiro. Cadeirante.

"É à noite, que a gente sai pra procurar o que não vai encontrar... Nunca!"

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Na chuva

Aparentava 33 anos mas podia ser que fosse menos.
Sentou-se ao meu lado e perguntou se poderia conversar comigo. Disse que sim e arrependi-me logo no minuto seguinte. Cheirava à cachaça e pedia dinheiro. Contou que esteve em muitas cidades, mas que sua cidade natal era Marília. Queria voltar para a terrinha, no entanto, os caminhoneiros só davam carona às vagabundas. Os dez reais que trazia no bolso não eram o suficiente para comprar a passagem de ônibus. Enquanto eu concentrava-me neste escrito, disse que minha letra era muito bonita (e todos sabem que não é...). Comentou sobre o tempo ruim e cogitou ir a pé para casa, o que levaria muitos dias. Calou-se ao contemplar uma pomba banhando-se na água acumulada na calçada. Vez ou outra, perguntava para onde mesmo eu estava indo. Disse, com ares de doçura, que quando eu me levantara para pegar uma caneta, ficara de olho nas minhas malas para que ninguém mexesse nelas. “Se fizesse isso em São Paulo, tinha perdido as malas”. Calçava um pé de Havaianas de cada cor e não fazia idéia de como explicaria isso aos pais.
Foi embora uns quinze minutos depois, desejando-me felicidades. E senti falta dele.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Tempos de crise

Congestionamento na Rebouças. Ao lado do ônibus, um carro com dois adesivos: um superior "Este veículo pertence a Jesus" e um inferior "Vende-se".

domingo, 17 de agosto de 2008

Terra do Nunca

Aqui o Sol brilha muito mais que em qualquer outro lugar. As árvores são mais verdes e fazem muito mais sombra. Aqui há poucos carros nas ruas e o silêncio faz um convite a um passeio de bicicleta antes do almoço. Há um bocado de velhinhos dispostos a um "bom dia" seguido de um sorriso, e meia dúzia de jovens cansados sentados nos banquinhos da praça. Aqui é um bom lugar para um churrasco ou para olhar o nada acontecer daquela maneira que só o nada acontece. A felicidade vive bem ali ao lado da barraca de pastéis. Aqui eu explodo de felicidade a cada manhã. Aqui me tornei quase tudo que sou.